Quem é que não se lembra com saudade das brincadeiras de ciranda,
amarelinha, cabra-cega e de tantas outras travessuras que fazem da
infância um momento mágico?
Para a criançada, as brincadeiras
são atividades obrigatórias na rotina e ai de quem tentar impedi-las de
viver as aventuras e emoções sentidas durante cada jogo. Mas não é só
isso.
Quando brincam de passatempos que fazem parte do universo
infantil, as crianças aprendem noções de espaço e tempo, aprendem a
dividir com os outros coleguinhas, memorizam sequências e muito mais.
Por isso, as brincadeiras durante esta fase tão bonita da vida são
mais do que bem-vindas e devem ser incentivadas por pais e familiares.
"Cada uma destas brincadeiras promove um aprendizado motor e cognitivo
diferente. O ideal é que os pais acompanhem de perto a participação
dos filhos nestas atividades e percebam se eles têm alguma dificuldade
de executar algum movimento ou de captar a lógica do jogo", explica a
psicóloga Cida Lessa.
"Quando brinca, a criança aprende a treinar sua agilidade, força e
equilíbrio, além de aguçar ainda mais seus reflexos. Mas cada idade
exige um exercício específico, o que não exclui a prática de outros. O
ideal é despertar estas aptidões até os sete anos de idade quando a
criança começa a aprimorar os movimentos que aprendeu até então",
explica o fisiologista da Unifesp Renato Romani.
A seguir, veja as vantagens de praticar cada atividade.
Ciranda
Além da noção de espaço e o equilíbrio, a ciranda revive as cantigas
lúdicas que têm papel importante na formação da garotada na medida em
que despertam a imaginação e ajudam na desenvoltura na hora de falar com
outras pessoas.
"Na ciranda, as crianças cantam, dançam e
interagem entre si estreitando laços, o que faz com que fiquem mais
extrovertidas além do domínio do equilíbrio e da linguagem, já que fazem
todas estas atividades simultaneamente", explica Cida Lessa.
Cabra-cega
Este é um exercício bastante complexo porque exige da criança
equilíbrio, noção de espaço e estimula todos os sentidos. "Para
compensar a ausência da visão, a criança aguça a audição, olfato e
percepção, daí a eficiência cognitiva e motora da brincadeira", explica
Renato Romani.
"Ao privar as crianças da visão, a cabra-cega
desperta a imaginação para monstros e fadas que podem aparecer a
qualquer momento sem que a criança possa ver, já que está com os olhos
vendados. É uma viagem que proporciona adrenalina e medo, mas que faz
com que a molecada sinta o prazer das descobertas e a possibilidade da
incerteza", explica Cida.
Esconde-esconde
Velocidade, equilíbrio, competição, noção de espaço e resistência
física. Estas são apenas algumas das aptidões desenvolvidas nesta
brincadeira.
"A criança é estimulada a correr, disputar espaço e
superar seus limites. É um excelente exercício de resistência física e
integração ao grupo", afirma Cida. "Qual criança não gosta de
competição? As atividades, quando competitivas por vontade da criança e
não por imposição dos pais, se tornam prazerosas e ensinam as crianças
a superarem as perdas", explica Romani.
"Se a atividade for
condicionada pelos pais, ela sai do limite e perde o efeito. O corpo só
responde positivamente a estímulos compatíveis com a resistência de
cada um. Quando a criança é pressionada a trazer resultados ou a
praticar uma atividade que não gosta, descarrega em seu corpo um
estresse maior do que consegue suportar e a brincadeira perde a graça",
continua.
Amarelinha
E quem não fica craque em equilíbrio pulando com um pé só? Brincar de
amarelinha fortalece os músculos das pernas e confere noção de espaço,
mas deve-se tomar cuidado para não forçar demais o movimento e jogar
toda a carga em uma das pernas causando distensões ou fraturas:
"o corpo se adapta as novas funções, mas tem seu limite, por isso, nada de extrapolar na dose", diz Renato Romani.
Bolinha de gude
Basta uma jogada e lá vai a bolinha do adversário para o seu bolso
causando uma sensação de vitória e superioridade tão gostosa que não dá
nem para explicar.
Além da competitividade, o jogo ensina a
respeitar a vez do amigo e a lidar com a derrota sem reações
agressivas. "Na hora do jogo, as bolinhas coloridas de vidro valem
fortunas e cada tacada certeira no alvo gera uma explosão de alegria e
adrenalina que torna a criança ainda mais competitiva, sem tirar da
brincadeira a essência lúdica que faz dela uma diversão e não uma
batalha", explica Cida Lessa.
Vídeo-game
O jogo desenvolve o raciocínio lógico e a habilidade motora das mãos,
porém, se não houver moderação, pode comprometer as habilidades sociais
como integração em grupo e exposição ao público, assim como ocorre com o
computador.
"A criança fica com raciocínio mais rápido e com
as mãos mais ágeis, mas é preciso um meio termo para não fazer dele uma
muleta e deixar as brincadeiras de rua e o exercício físico de lado",
explica a psicóloga.
Fonte: Minha Vida
Post por Arilson